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10.2.2

5.


O dormitório da penitenciária é uma sala ampla, com diversas camas encostadas na parede. A carcereira aponta três delas, em um dos cantos.

- "Aquelas são as camas de vocês. Arrumem elas e deitem. A luz vai se apagada em dez minutos, e vocês serão chamadas às cinco e meia para o trabalho no campo de batatas."

Paige nota que uma das detentas não está se arrumando para dormir. A moça de olhar tristonho está sentada numa cadeira, como se esperasse por algo. Em seguida, Maxine entra no dormitório e se aproxima dela.

- "Está na hora de se arrumar, Linda! O oficial da condicional já está aqui para te ver."

Uma expressão de desespero toma conta do rosto da presidiária; mas ela não discute. Se levanta e sai do dormitório, seguida por Maxine.

- "Que estranho... Nunca vi oficial de condicional visitando presos na hora de dormir!"

- "Alguma de vocês localizou Elisabeth?", pergunta Piper.

- "Não. Definitivamente ela não está nesse alojamento", responde Phoebe.

- "Bem, então vamos nos deitar e seguir com o plano".

As irmãs deitam e fingem dormir até que as luzes se apagam. Assim que a carcereira se afasta, Piper e Phoebe alcançam os travesseiros para Paige, que os arruma debaixo das cobertas como se fosse seu corpo deitado.

- "Não demore!", recomenda Piper. "A carcereira pode voltar a qualquer instante."

- "Vou o mais rápido que puder", garante Paige, desaparecendo no ar.

Paige orbita até o sótão da Mansão e corre para o Livro das Sombras. Ela vasculha em todas as páginas, mas não identifica nada que possa ter ligação com a prisão de Pine Parrish. Até que seus olhos são atraídos por uma pequena nota, no canto de uma página.

- "Achei!" ela diz, orbitando de volta para o dormitório, na prisão.

- "E então?..", pergunta Phoebe, enquanto Paige devolve os travesseiros e se enfia para baixo das cobertas.

- "O xerife e seu assistente são demônios farejadores. O Livro diz que eles são como cães, têm a capacidade de rastrear qualquer coisa a quilômetros de distância."

- "Funcionários perfeitos para uma penitenciária!", ironiza Piper.

- "Os farejadores são demônios menores, com pouco potencial ofensivo. Eles sequer podem lançar uma bola de fogo. Isso explica porque eles usam armas. De acordo com o Livro das Sombras, farejadores sempre trabalham para demônios mais poderosos."

- "Isso quer dizer que tem algum demônio superior por trás do que quer que esteja acontecendo aqui!"

Piper mal tem tempo de terminar a frase quando é sacudida por um safanão da carcereira.

- "Boca fechada, tesouro! Isso aqui não é uma festinha para fofocar com suas amigas!"

- "Calma, moça!", diz Piper, levantando da cama. "Sabe o que é? Não estou acostumada a dormir cedo."

- "Pois é bom se acostumar logo!" responde a mulher, dando um golpe com o cotovelo no estômago de Piper, que se deita novamente, curvada pela dor. "Agora durma, se não quiser ganhar mais!", ameaça.

No impulso, Piper chega a fazer um gesto com as mãos para congelar a agressora. Mas logo pára, pois isso poderia estragar o disfarce. A carcereira se afasta e Phoebe, preocupada, pergunta:

- "Você está bem?"

Além da dor, Piper tem uma expressão de fúria no olhar.

- "Ela tem sorte de não ser um demônio farejador, ou já teria voado pelos ares em pedacinhos!"

- "Vire-se para cá, deixa que eu curo você", diz Paige.

- "Não. Quero me lembrar dessa dor para estar com bastante raiva quando puder pôr minhas mãos nessa gente!" diz Piper, virando-se para a parede. "Agora vamos dormir. Amanhã, quanto antes encontrarmos Elisabeth, mais rápido sairemos daqui!"

6.
Logo que o dia amanhece, as prisioneiras são levadas na boléia de um caminhão para o campo de cultivo de batatas. Assim que descem no local, cada uma recebe uma ferramenta, pá ou ancinho, ou então uma cesta para colocar o que for colhido. Piper percebe que algumas das presas têm luvas para o trabalho.

- “Ei, pode me arranjar luvas também?”, pergunta ela para a carcereira, a mesma que a agrediu na noite anterior.

A mulher tira um par de luvas do bolso e as exibe, bem na frente do rosto de Piper.

- “São essas que você quer? Custam quarenta dólares. Você tem quarenta dólares?”

Piper sacode a cabeça em negativa, e a mulher volta a guardar as luvas.

- “Então só me chame quando tiver dinheiro” diz a mulher, se afastando.

Enquanto escava batatas no chão, Phoebe tenta puxar conversa com uma das detentas embora a moça não pareça ter muita vontade de fazer novos amigos.

- “Meu nome é Jill. Estou procurando uma conhecida minha que estava presa aqui. O nome dela é Elisabeth Hunter, você a conhece?”

- “Ela já esteve por aqui”, responde a moça, sem levantar a cabeça. “Foi levada à enfermaria há cerca de um mês. Depois, não a vi mais.” Então, finalmente ela olha nos olhos de Phoebe. “Mas não diga a ninguém que te contei isso. Aqui eles não gostam de quem fala demais.”

- “Não se preocupe, a mim só interessa encontrar a minha amiga”, responde Phoebe, voltando ao trabalho ao perceber que o assistente do xerife se aproxima.

Em outro canto do campo, Paige carrega um pesado cesto cheio de batatas com a ajuda de Linda.

- “Por que você foi presa?” pergunta Paige.

- “Violação de domicílio. Era só um bosque, e não estava escrito propriedade privada. Eu estava apenas acampando!”

- “E por que você não falou com um advogado?”

- “Eu não tenho dinheiro para contratar um e, além do mais... não me deixariam falar.”

- “Como poderiam impedir, é um direito seu! E o seu oficial de condicional, o que disse ontem à noite?”

A moça hesita por alguns minutos. Depois, decide contar a verdade.

- “Não havia oficial nenhum. Foram me chamar para a festa.”

- “Festa? Que festa?”

Nesse momento, Paige sente um forte puxão no braço. É Carlo, o assistente do xerife, que a agarra com violência.

- “Aqui não se conversa enquanto se trabalha!”

- “Tenha paciência comigo, sou nova por aqui. Ainda não conheço o regulamento. Prometo me comportar melhor”, responde Paige, jogando charme para cima do falso policial.

- “Assim é que se fala. Já estamos começando a nos dar bem!” diz o demônio farejador, certo de estar fazendo uma conquista. “Meu nome é Carlo... chame que virei correndo se você precisar...”

Ele se afasta sorridente, mas Linda faz cara de apavorada.

- “Kelly, não se meta com ele! Dizem que esse cara tentou violentar uma das presas. Ela foi parar na enfermaria, e depois nunca mais foi vista! Não deixe que ele se aproxime de você!”

- “Essa presa não seria por acaso Elisabeth Hunter?” pergunta Paige.

- “Sim, é essa mesma! Como é que você sabe?”

Paige olha para o demônio farejador, que se afasta. E começa a temer que encontrar Elisabeth seja bem mais difícil do que parecia.

7.
Foi um dia de trabalho pesado no campo de batatas. Na fila do refeitório, Piper, Phoebe e Paige servem suas bandejas com o jantar e depois sentam no canto de uma mesa. É a primeira vez, desde o amanhecer, que elas têm chance de conversar.

Paige experimenta a comida e faz uma careta. Phoebe prefere um pedaço de pão.

- “E então? Descobriram onde pode estar Elisabeth?”, pergunta Piper.

- “O pessoal não é muito de falar por aqui”, responde Phoebe. “As presidiárias parecem viver aterrorizadas.”

- “A última vez que ela foi vista estava sendo levada para a enfermaria depois de ser agredida por Carlo”, diz Paige. “E isso já faz mais ou menos um mês.”

- “Um mês! Confere com a data em que disseram à Kristin que ela saiu em liberdade condicional. Precisamos entra naquela enfermaria para saber o que aconteceu lá dentro.”

- “Posso orbitar até lá durante a noite.”

- “Não. Acho que precisamos saber como foi o atendimento que Elisabeth recebeu. Eu vou até lá”, diz Phoebe.

- “Mas como?”

- “Ficando doente, é claro! Não se preocupem: fiz isso milhões de vezes para que a vovó não me mandasse para a escola.”

Dizendo isso, Phoebe põe a mão na barriga e começa a gemer em voz alta. Ela se levanta e em seguida cai no chão, retorcendo-se como quem sente muita dor.

- “Ai, que dor! Me ajudem!”

O alvoroço atrai a atenção das guardas. Maxine se aproxima, correndo.

- “O que está acontecendo?”

- “Acho que a comida fez mal, ela estava reclamando de dor no estômago”, responde Piper.

- “Aiii, está doendo muito!”

Os gemidos de Phoebe também chamam a atenção de uma senhora que as irmãs ainda não tinham visto na prisão. Ela entra no refeitório e ordena às carcereiras:

- “Levem-na para a enfermaria e chamem o médico imediatamente!”

Maxine obedece sem pestanejar. Quando elas se afastam, a mulher se apresenta:

- “Ainda não conheço vocês. Sou Worten Sorenson, diretora da penitenciária feminina de Pine Parrish.”

- “Eu sou Sabrina Duncan e essa é Kelly Garrett”, diz Piper.

- “O que aconteceu com a amiga de vocês?”

- “Bem, esta não é exatamente uma ceia de luxo...”, responde Paige, apontando para a comida.

- “Eu entendo que não é nada fácil estar numa prisão. Principalmente para moças tão bonitas e refinadas como vocês. Entretanto, quando se comete um erro é preciso pagar por ele. Apenas posso esperar que a estadia de vocês conosco seja a mais agradável possível”, diz a senhora Sorenson.
Sempre sorrindo, a diretora se afasta e volta para a sua sala. Enquanto isso, Maxine conduz Phoebe para a enfermaria.

- “Assine o protocolo de entrada e deite-se na maca, o doutor já está chegando”.

Minutos depois, um homem de meia idade entra na sala.

- “E então, o que tem essa moça?”

- “Estou sentindo pontadas de dor bem aqui no estômago!”

- “Relaxe, que eu vou examinar.”

Assim que o médico encosta nela, Phoebe tem uma visão. Ela vê o mesmo homem examinando Elisabeth Hunter. “Deixe-a descansar aqui na enfermaria por algumas horas. Ela vai se recuperar” diz ele para Maxine. A imagem desaparece, e Phoebe fica sem saber o que aconteceu depois.

- “Está tendo arrepios, menina! Provavelmente a comida da prisão não lhe fez bem. Isso é tremendamente comum. Vou passar uma receita para a carcereira, e você vai receber o remédio imediatamente.”

O homem se despede e sai. Maxine segura no braço de Phoebe e manda que ela assine novamente o protocolo.

- “Eu já assinei esta porcaria!”, diz Phoebe, desvencilhando-se e deixando propositalmente o livro cair no chão.

- “Junte isso agora!” grita a chefe das carcereiras.

Phoebe se abaixa para juntar, e aproveita para vasculhar as páginas anteriores. Ali está a assinatura de Elisabeth, mas apenas na entrada. Por algum motivo, ela não assinou quando saiu.

- “Levante logo daí e assine isso!” ordena Maxine, irritada.

Phoebe obedece, e finalmente é encaminhada ao dormitório.

8.
O telefone toca na luxuosa residência da senhora Sorenson. É o xerife de Pine Parrish.

- “Andei verificando as recém-chegadas. Tiramos a sorte grande dessa vez! Duas delas, Sabrina e Kelly, estão em liberdade condicional por prostituição. O próprio oficial de condicional delas, um tal de Henry Mitchell, me passou as informações.”

- “Ótimo! E a outra?”, pergunta a diretora da prisão.

- “Jill Munroe? Ainda não consegui nada sobre ela. Parece que não tem nenhum parente vivo.”

- “Olhe lá, ein? Você disse o mesmo sobre aquela tal Elisabeth Hunter, e depois a irmã dela quase nos meteu em confusão!”

- “Dessa vez não haverá erros. Vou ficar de olho nelas”, garante o xerife, antes de desligar.

A senhora Sorenson abre um sorriso de satisfação. Os negócios vão indo bem. “Minha Mestra vai ficar contente com as novidades”, pensa. A diretora da prisão vai até uma das paredes da sala, que está coberta por uma cortina. Ela a abre totalmente e revela um altar do outro lado.

É um altar de magia negra. Por todos os lados estão espalhadas oferendas e objetos rituais. Bem no centro há uma estátua de pedra de tamanho natural, que reproduz imagem de uma mulher muito bonita. A imagem está cercada de cinco velas negras, que a senhora Sorenson acende antes de começar o ritual.

- “Ò mãe negra de todo o Universo, eu te invoco nessa hora! Lilith suprema e poderosa, senhora de todos os Infernos, venha atender essa sua serva!”

As chamas das velas crescem até virarem uma labareda de fogo. Ao som das palavras mágicas, a estátua de pedra ganha vida e se transforma na verdadeira Lilith, um dos demônios mais antigos que vagam pela face da Terra.

- “Por que você me invocou?”

- “Ó minha senhora, tenho ótimas notícias! Mais três mulheres acabam de chegar para o vosso serviço!”

Lilith sorri com a novidade.

- “Muito bem! Você está cumprindo bem a sua parte no nosso trato. Traga mais mulheres, e vai ficar muito rica!”

- “Minha maior satisfação é agradá-la, senhora...”

- “Ha, ha! Não seja hipócrita. Você está enchendo os bolsos com o ‘trabalho’ dessas mulheres. Mas é bom que seja assim... agora me fale das recém-chegadas.”

- “São belas e bem-educadas. São refinadas. Vão agradar aos homens, e não vão se negar a estar ao seu serviço.”

- “Ótimo! Traga-as ainda essa noite. Quanto mais cedo se corromperem, melhor!”

Lilith desaparece se transformando em estátua novamente, e a senhora Sorenson fica feliz por ter agradado a sua mestra.

6 comentários:

Anônimo disse...

Oi,
eu não vejo o link para a terceira parte. ainda não está disponível?

Lory disse...

em breve...

Anônimo disse...

Muito legal esse capítulo, Lory. Estou acompanhando suas temporadas virtuais desde o início. Espero que continue logo esse "episódio" =)

Kia disse...

olá lory,
a terceira parte ainda demora? estou ansiosa.

ayla disse...

ei to curiosa
pra saber sobre o final
posta logo pro favor

Lory disse...

O link para a terceira parte já está OK!

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