Sábado

Numa noite escura e chuvosa de 1998, Phoebe Halliwell entrou no sótão da Mansão vitoriana da sua família e descobriu um antigo livro escondido num baú. Ela abriu o livro e, sem se dar conta do que fazia, leu o feitiço que transformaria a ela e suas irmãs nas Entantadas, bruxas boas destinadas a proteger os inocentes e combater o mal.


Durante oito temporadas, acompanhamos a saga de Charmed: Piper, Phoebe, Prue e depois Paige enfrentaram demônios, viajaram no tempo, foram transformadas em seres mitológicos e ainda conservaram a família unida. Comemorando os dois anos de Charmed Fan Fiction renovamos a programação visual do blog que mantém vivas as aventuras das irmãs Halliwell com informações, imagens, curiosidades e... é claro: novos episódios virtuais!
Aqui você vai conhecer melhor a série, os personagens, os atores e os episódios, além de acompanhar as temporadas virtuais de Charmed com aventuras inéditas das Encantadas.

Novas Temporadas Virtuais
Com o guia de episódios da Nona e da Décima Temporadas, o perfil dos novos personagens e respostas às perguntas mais frequentes.
EPISÓDIO EM PUBLICAÇÃO: 10.4 Presente de Grego


Tudo sobre Charmed
Aqui você tem detalhes sobre a história, os principais personagens, os episódios e os bastidores da série, além de um Dossiê de Magia com informações sobre Wicca e o Livro das Sombras, exclusivo de Charmed Fan Fiction!

Charmed News
As informações mais recentes e os novos projetos das atrizes principais. Saiba tudo sobre o que está acontecendo com quem faz parte do mundo Charmed.

Charmed Gallery
Fotos, jogos, vídeos, fofocas... e muitas curiosidades: flagrantes da vida pessoal, Especial de Moda, extras do DVD da oitava temporada e trailers dos novos trabalhos das atrizes.

Downloads
Para você baixar posters, wallpapers, fontes, música... e muito mais.

Mailing List
Para os participantes do Orkut, uma forma de saber primeiro sobre os novos episódios e as atualizações da página.

Contato
Quem mandar um pedido, fazer uma sugestão, falar sobre Charmed? Então me escreva!

Sexta-feira

O que há de novo por aqui...


Presente de Grego é o mais novo episódio de Charmed Fan Fiction!

Novos links para baixar Charmed: A série completa em várias opções atualizadas para você está em Charmed Downloads.

Para notícias sobre as atrizes de Charmed: Veja Charmed News.

Para fotos e novos vídeos de Charmed, Alyssa, Holly, Shannen e Rose alem do trabalho do elenco que participou dos oito anos do seriado, veja a Charmed Gallery.

Quarta-feira

As Charmed Ones vão ganhar um Presente de Grego!


Esse é o título do novo episódio da décima temporada virtual de Charmed, o quarto dessa série. Nele, Phoebe tenta livrar uma inocente de um destino cruel, e para isso conta com a ajuda das irmãs. Ela só não sabe que está prestes a conhecer uma de suas maiores inimigas...

Espero que gostem da história!

beijos,
Lory

Terça-feira

10.4.1 - PRESENTE DE GREGO


1.

- “Entendo que a promoção do livro esteja tomando muito seu tempo, Phoebe. Mas a coluna está atrasada demais! Você sequer entregou a de amanhã, e o jornal começa a ser rodado daqui a duas horas!”

Elise estava com cara de poucos amigos, e Phoebe já não tinha mais desculpas para dar. Enquanto esteve em sua viagem ao passado, para ajudar Brianna, a editora-chefe achava que ela tinha ido para Washington para divulgar “Encontrando o Amor”. Como então não foi capaz de mandar a coluna de lá? Não havia explicação.

- “A coluna já está quase pronta, Elise, e vou adiantar o trabalho de vários dias, eu prometo!”

Antes de esperar uma resposta, Phoebe escapou para sua salinha e fechou a porta.

- “Ufa, que encrenca!” disse, em voz alta.

- “Posso te ajudar?” perguntou uma voz amorosa que vinha do fundo da sala. Phoebe sentiu os braços fortes de Coop a envolvendo.

- “Ah, como é bom ver você!” Phoebe deixa-se abraçar por alguns minutos.

- “Fico feliz que você não esteja mais braba comigo.”

- “Desculpa pelas coisas que eu disse. Você fez tudo para nos ajudar, e eu fui tão rude!”

- “Não precisa pedir desculpas, Phoebe. Você tinha toda razão. Não havia motivos para eu não te falar antes sobre minha mãe. É que... escolher o momento certo para isso às vezes é uma coisa complicada...”

- “Eu sei. Eu deveria ter sido mais compreensiva...”

- “Não, o erro foi meu. E quero corrigir isso. Phoebe, quero que conheça a minha mãe.”

Phoebe fez uma cara de surpresa. Por essa ela não esperava!

- “Como é que é?”

- “Já falei com ela sobre você. Acho importante que vocês se conheçam. Apenas me diga quando e eu...”

- “Espere, espere um pouco!” disse Phoebe, numa mudança total de atitude. “Eu sei que reclamei, mas... não sei se estou preparada para conhecer a sua mãe, Coop!”

- “Claro que está! Ela vai adorar você, tenho certeza. Não há motivo para ter medo.”

- “Eu não estou com medo, é que... está bem. Estou estou com medo.”

- “Eu gostaria muito que vocês se conhecessem, mas não quero apressar as coisas. Pense nisso com carinho.”

O cupido aproximou-se e beijou-a no rosto. Depois, desapareceu no ar.

“E mais essa agora!”, pensou Phoebe, arrependendo-se de toda birra que fez por causa da mãe de Coop.

Mas havia um problema mais urgente a resolver. Ela olhou para o canto da sala onde estavam empilhadas caixas e mais caixas de cartas.

Depois que lançamento de seu livro, a correspondência tinha quadruplicado. Chegavam cartas de todos os cantos do país, e era impossível ler todas. Phoebe decidiu dividir o problema com alguém, e ligou para Paige.

- “Assim que escolho uma para responder, fico pensando se não estou deixando para trás outra, mais urgente. Afinal, cada carta dessas representa uma pessoa precisando de ajuda!”

- “Mas quando você responde ao problema de uma pessoa, está falando também para centenas de outras que enfrentam situações parecidas” respondeu a irmã, do outro lado da linha.

- “Eu sei, mas ando com tanto medo de estar fazendo uma escolha injusta, e deixar passar alguma coisa muito importante que precisa da minha atenção!”

- “E porque você não usa seus poderes prá isso?”

- “Como assim?”

- “É simples. Coloque sua mão sobre as cartas e sinta para onde ela é atraída”.

Phoebe desligou o telefone pensando que, afinal, isso podia dar certo. Fechou os olhos mergulhou a mão no meio das cartas, tentando ativar um pouco da sua antiga empatia. Ainda sem muita segurança, escolheu uma delas.

- “É essa... eu acho.”

Phoebe sentou-se na escrivaninha e começou a ler apressadamente. Logo, fez uma careta de espanto. E outra. E mais outra.

- “Isso aqui deve ser piada. É a coisa mais absurda que já li!”

Phoebe decidiu que aquela não seria a carta respondida na próxima edição do Bay Mirror. Certamente seu poder da empatia não estava de volta. Senão, não teria apontado uma situação tão esdrúxula para ela tentar resolver!

2.

No restaurante Pan, Piper se aproxima da mesa onde suas irmãs acabaram de almoçar trazendo uma bandeja com o cafezinho.

- “Desculpem não poder me juntar a vocês... sabem como é, o trabalho não espera.”

- “Sabemos que está ocupada, Piper. E gostamos tanto do seu trabalho que estamos sempre aqui, não é?” responde Paige.

- “E eu vou ficar mas um pouquinho. Marquei aqui com aquela moça da carta que falei prá vocês”.

- “Mas Phoebe, você não tinha decidido não responder àquela carta?”

- “Eu sei, mas estou em dúvida. Por que eu teria pego logo aquela, se não fosse para ajudar?”

- “Então você acha que a empatia está de volta?”, perguntou Piper.

- “Não exatamente. Mas pode ser um tipo mais aguçado de sensibilidade. O fato é que fiquei um pouco intrigada com a história”.

Paige fez uma careta.

- “Convenhamos, parece coisa de maluco... uma mulher que sofre porque todas a acham bonita demais?”

- “Eu sei, é ridículo... mas na carta ela parecia tão desesperada... ela está a ponto de perder o emprego por causa disso!”

- “Me explique melhor essa história” pediu Piper, sentando-se numa cadeira.

- “O nome dela é Helena. Tem 24 anos e está trabalhando num escritório de advocacia. Ela contou que levava uma vida normal até que a mãe dela, que era uma mulher muito bonita, morreu. Parece que desde então, todos passaram a considerá-la uma beleza fora do comum. Mas, no lugar de estar feliz, parece que isso só atrapalha a vida dela. Homens inconvenientes a perseguem por todos os lados. Ela perdeu as amigas, que ficaram com ciúmes. Em locais públicos, é atacada por mulheres que reclamam que ela está chamando a atenção de seus maridos. Enfim... é uma beleza que só traz discórdia, como ela diz.”

- “Olha, precisa ser mais que a miss Universo prá gente acreditar numa história dessas...”

- “Ela contou que o chefe dela está prestes demiti-la, justamente por causa dessas confusões. Queria conselhos para resolver a situação no escritório.”

Nesse momento, as irmãs ouvem um burburinho na entrada do restaurante. Todos se viram para olhar a moça que acaba de entrar. Phoebe vê uma jovem alta e loira vindo para sua mesa. “Deve ser Helena”, pensa. “É bem bonita, mas nada de excepcional”.

- "Olá... Phoebe?”

- “Sim, e você é Helena, certo? Sente-se aqui conosco, por favor.”

- “Fico tão agradecida por você ter me chamado para conversar!”

- “Ora, não é nada. Olhe, essas são minhas irmãs Piper e Paige.”

Só então Phoebe repara na expressão das irmãs. Estão as duas de boca aberta, como se estivessem vendo um fantasma.

- “Ei! Vocês estão bem? Piper?”

- “Meus garçons não podem trabalhar desse jeito! Estão todos parados! Ei, voltem ao trabalho, parem de olhar para cá!”, ela diz, saindo furiosa para repreender todos os funcionários que não conseguem tirar os olhos de Helena.

Phoebe tem a impressão de que Piper perdeu o juízo. Ela olha para o lado, e vê Paige de olhos arregalados conversando com a moça.

- “... então eu gerencio essa agência de modelos, e tenho certeza que você faria muito sucesso! Você TEM que ser modelo, e eu faço questão de seu sua agente!”

- “Mas eu... não tenho a menor vocação para isso. Realmente não quero ser modelo”, responde Helena, timidamente.

- “Isso é um absurdo, você não sabe o que está jogando fora! Com a sua beleza, pode ficar muito famosa, ganhar muito dinheiro!”

- “Pare com isso, Paige, você está a deixando constrangida!”, ordena Phoebe.

- “Mas Phoebe, eu tenho uma campanha que seria ideal...”

- “Paige!” diz Phoebe, pegando a irmã pela mão e levando-a para longe da mesa, “Acorda! Helena veio aqui para conversar comigo, lembra? Agora queremos ficar sozinhas.”

Paige parece mesmo acordar de um transe.

- “Está bem, eu... já estava indo mesmo”.

Phoebe observa ela se afastar e pensa que nunca viu suas irmãs tão esquisitas.

- “Desculpe-me, Helena... agora podemos falar de você. O que está acontecendo?”

- “Você acabou de ver o que está acontecendo”, responde a moça com um sorriso triste no rosto. “É sempre assim, essa confusão, onde quer que eu vá. Já estou até desistindo de andar pela rua!”

Phoebe olha para os lados e vê cenas muito estranhas. Mulheres apontam para Helena e brigam com seus parceiros, que olham embasbacados em direção à mesa dela. Os garçons deixam cair coisas porque estão prestando atenção em Helena. Piper briga com o rapaz do caixa, que simplesmente parou de trabalhar para olhar para ela.

- “O que está acontecendo por aqui?”

- “Eu. Eu sou responsável por toda essa confusão. Onde quer que e vá acontece o mesmo.”

Phoebe suspira, incrédula. Helena é mesmo uma moça bonita, mas como ela existem milhões. Não há nada de especial. Então, por que todo essa alvoroço?

- “Minha mãe sofreu com isso durante anos. Meu pai tinha tanto ciúme que a abandonou, pois não agüentava a reação dos outros homens à ela. No fim, ela mal saía de casa... eu não quero terminar assim!”, desespera-se a moça.

- “Calma, me deixe entender melhor a situação... quer dizer que você herdou isso da sua mãe?”

A moça confirma com a cabeça.

- “Aquilo sempre me pareceu muito estranho, e eu nunca entendi como acontecia, porque minha mãe era para mim uma pessoa normal. Mas passei a infância inteira convivendo com aquele isolamento forçado, e agora está acontecendo comigo! É um castigo... uma maldição!”

“Essa é uma possibilidade”, pensou Phoebe com seus botões. Estava quase convencida de que era isso mesmo que está acontecendo, algum tipo de feitiço que afetou a filha depois que a mãe morreu. E que, por algum motivo, ela mesma era imune ao que os outros estavam vendo naquela moça.

- “E por que você acha que eu conseguiria ajudar?”

- “Leio sempre a sua coluna. Estou com problemas no trabalho, esperava que pudesse me dar um conselho. A esposa do chefe não larga do meu pé. Ela está convencida de que ele tem um caso comigo, e pediu minha cabeça!”

- “E você tem um caso com ele?”

- “Claro que não! Mas ele me persegue, aliás, qualquer homem do escritório me persegue. Eu precisa trabalhar, Phoebe! Não tenho quem me sustente... o que eu vou fazer?”

Phoebe achou muito difícil responder aquela pergunta.

- “Fique calma. Vou pensar numa maneira de ajudar” disse, sem muita convicção.

3.

Piper serviu os meninos de café como se fosse um robô. Imediatamente, Wyatt e Chris começaram a implicar um com o outro. Mas ela continuou indiferente. Estava cansada demais até para chamar a atenção dos filhos.

Leo estranhou a atitude da esposa.

- “Meninos, parem com isso!” disse, afastando os dois brigões. “Piper, você está bem?”

- “hurrrummm...” grunhiu ela. “Só queria dormir mais um pouquinho... saí tão tarde do restaurante, ontem!”

- “Então por que não pediu para Phoebe para fazer essa reunião depois?”

- “Ela disse que o assunto era urgente, aquela história da moça mais bonita do mundo que só causa confusão por onde passa..”

- “Tem certeza que não quer que eu fique? Posso chegar um pouco mais tarde na Escola Mágica hoje, e vocês devem precisa de ajuda.”

- “Não, não vejo necessidade”, respondeu Piper. Na verdade, ela não tinha a menor vontade de ver seu marido olhando embasbacado para Helena, como todos os homens faziam.

- “Nesse caso... me chame se precisar”, disse Leo, terminando de se arrumar e e orbitando com os meninos rumo à escola.

Piper deu um longo bocejo. Apoiou a cabeça sobre os braços, na mesa da cozinha, e pensou que dormiria ali mesmo, se não fosse o barulho que acabava de escutar na porta da frente.

- “Pipeeeeer! Cheguei!”

Phoebe encontrou a irmã na cozinha, com uma cara desanimada.

- “Muito cedo para você, hã. Onde está Paige. Paige? Paaaaaaige!”

Paige apareceu orbitando, ainda com um rolo preso aos cabelos.

- “Não precisa gritar, eu já estava terminando de me pentear!” diz, desvencilhando o rolo dos últimos fios. “Agora conte logo, o que foi que aconteceu?”

- “É Helena. Ela me ligou desesperada, foi demitida ontem, no final do expediente.”

- “Coitadinha. Mas pelo menos agora ela pode concordar em trabalhar para a minha agência...”

- “Paige, pare com isso! O assunto é sério! Ela está muito abalada, nem sei o que pode fazer!”

- “E como podemos ajudar?” perguntou Piper, com a voz sonolenta.

- “Bem, tenho quase certeza que ela está sendo vítima de alguma maldição de família. Alguma coisa que já afetava a mãe dela, e que Helena meio que... ‘herdou’. Acho que é uma inocente, que precisa ser salva. Pedi que ela viesse aqui, já deve estar quase chegando, mas antes, quero que coloquem isso.”

Phoebe tirou da sacola que carregava duas pequenas embalagens.

- “O que é isso?”

- “Lembram daqueles óculos que enfeitiçamos, para ver as pessoas como elas realmente são? Bom, eu fiz a mesma coisa... com lentes de contato!”

- “Lentes de contato? Que idéia foi essa?” protestou Piper.

- “Os óculos ficaram meio ridículos, lembram? Além do mais, assim não corremos o risco de deixá-los cair ou quebrar sem querer!”

- “As minhas pelo menos poderiam ser azuis...” brincou Paige, colocando as lentes enfeitiçadas.

Elas escutam o barulho da campainha da mansão. É Helena. Phoebe abre a porta e a leva até as irmãs.

- “E! Você está diferente!” exclama Piper.

- “É Helena mesmo? A mesma Helena?” pergunta Paige.

- “O que há com elas?” estranha a moça.

- “Eu já explico para você . Piper, Paige, agora acreditam no que eu dizia?”

- “Mas é espantoso! Realmente, você tinha razão!”

- “Tinha razão no que, Phoebe?” pergunta Helena, cada vez mais desconfiada.

- “Helena, não se assuste com o que vamos te dizer. É que... bem, nós acreditamos que você está sendo vítima de uma maldição.”

- “Você acha nisso?”

- “Sim. É o que todas nós acreditamos.”

A moça fica em silêncio por alguns momentos.

- “Então... eu tenho que contar a verdade para vocês. Eu não disse antes porque tive medo de que julgassem maluca. O fato é que... eu realmente sou vítima de uma maldição.”

As irmãs pressentem que ouvirão algumas revelações.

- “Eu já tentei contar essa história para várias pessoas, procurando alguém que pudesse me ajudar... mas as coisas ficavam piores ainda! Diziam que eu era louca. A verdade é que eu não sei se posso contar tudo, não sei se acreditariam...”

- “Helena, fique tranquila. Já vimos muitas coisas que pareceriam loucura. Se você veio até nós, acreditamos que é porque podemos ajudar.”

A jovem então decide contar a sua história.

- “Minha mãe, ela... ela não era uma pessoa comum. Era sacerdotisa de um culto muito antigo. Mas um dia conheceu meu pai e se apaixonou por ele. Uma paixão proibida, pois ela não tinha permissão para se casar. Por amor à ele, ela abandonou tudo e fugiu do templo. Mas quando fez isso, foi amaldiçoada!”

Helena soltou um suspiro e deu uma olhada para sentir a reação das irmãs. Depois, continuou.

- “No início tudo parecia bem. Eles eram felizes. Então, aos poucos, começou a acontecer. Minha mãe passou a ser importunada por todos os homens que batiam os olhos nela. Eles chegavam a enfrentar meu pai! As mulheres da vizinhança diziam coisas horríveis sobre ela... até eu era ofendida, na escola, por mães de colegas que achavam que seus maridos estavam apaixonados por ela!”

- “Se for parecido com o que vimos ontem no restaurante, devia ser um problema e tanto!”, disse Piper.

- “Era terrível. Meu pai não aguentou mais aquela situação. Sentia-se humilhado. Acabou pedindo o divórcio. Agora, depois que ela morreu, tudo isso está se repetindo... comigo!”

- “Mas quem foi que fez isso? Quem amaldiçoou a sua mãe?”

Helena parecia especialmente nervosa em responder aquela pergunta.

- “Eu... não vou dizer, vocês não vão acreditar! Vão achar que eu sou louca!”

As irmãs trocaram olhares. Era hora de esclarecer algumas coisas.

- “Escute, Helena, você confiou bastante na gente contando sua história. Vamos confiar em você também, e contar uma coisa sobre nós mesmas”, disse Paige.

- “O que é?”

- “Acontece que não é por acaso que acreditamos em magia. Nós somos bruxas.”

O rosto de Helena tinha uma expressão incrédula.

- “Piper, a prova”, pediu Phoebe.

- “Vá você, Paige. Cansei que quebrar coisas dentro de casa!”

Paige olhou ao redor e viu alguns brinquedos dos meninos espalhados pelo chão. Ela apontou para um deles e chamou:

- “Carrinho!”

O brinquedo orbitou até sua mão. Helena estava de boca aberta.

- “Helena, querida, não fique com medo” disse Phoebe. “Estamos do seu lado, e queremos lhe ajudar!”

- “Então vocês não vão ficar surpresas com o que eu vou dizer...”

- “Pouca coisa ainda nos surpreende”, respondeu Piper.

- “Quem amaldiçoou a minha mãe foi a divindade a quem ela servia. A deusa a quem ela jurou fidelidade, a quem traiu quando abandonou o templo por causa do meu pai!”

- “Mas que deusa é essa?”

- “A deusa da Beleza e do Amor.”

4.

Phoebe mal acreditava no que ouvia.

- “Mas como poderia uma deusa da Beleza punir sua mãe justamente por se apaixonar?”

- “Afrodite é a deusa da paixão, mas não da bondade. Ela é ciumenta, jamais aceitaria que uma das suas sacerdotisas deixasse de servi-la!”

- “Afrodite? Então sua mãe vivia na Grécia Antiga?” perguntou Paige, já imaginando mais uma viagem no tempo.

- “Oh, não. O culto das antigas divindades pode não ser mais praticado abertamente, mas ele ainda existe para os iniciados nos dias de hoje.”

- “Talvez pudéssemos pensar num feitiço que anulasse a maldição...”

- “Afrodite é imune à magia comum. Ela é uma deusa! Só ela mesma pode retirar a maldição. Seria considerado uma grande ofensa até mesmo se tentassem usar bruxaria com ela.”

- “Então como vamos resolver isso?”

- “Acho que em primeiro lugar temos que ir até o templo dela e pedir que pare com essa vingança absurda”, sugere Phoebe.

- “E como chegaremos lá?”, perguntou Piper.

- “Comigo", respondeu Helena. "Eu sei entrar e sair. Minha mãe me ensinou, talvez prevendo que um dia eu iria precisar.”

- “Lá vamos nós de novo...” suspirou Piper, olhando para o alto. “Me deixem pelo menos antes trocar de roupa e avisar Leo sobre onde vou estar, caso precisemos dele.”

Enquanto Piper vai para o quarto, Phoebe e Paige continuam fazendo perguntas para Helena.

- “Sua mãe nunca tentou pedir perdão para Afrodite?”

- “Sim, várias vezes. Mas ela era impedida de entrar no templo.”

- “Uma deusa da Beleza com coração de pedra!”, disse Phoebe.

- “Ela é muito orgulhosa. Acho que no fundo ficou enciumada porque minha mãe pode despertar uma paixão capaz até de desafiá-la. Por isso, fez tudo para destruir esse sentimento.”

- “Bem, ela conseguiu o que queria faz tempo”, disse Piper, voltando à sala. “Espero que a gente possa fazê-la voltar a ser razoável, e de preferência antes da hora de servir o jantar!”

- “E o que faremos para ir até o templo de Afrodite?”

- “Vamos dar as mãos num círculo. Agora, fechem os olhos.”

Helena se concentrou e as irmãs sentiram tudo girar ao seu redor. Em segundos, foram transportadas para um campo muito verde. Ao fundo, perto dali, ficava um imenso templo de mármore branco, cercado por altas colunas, exatamente igual aos da Grécia Antiga. A superfície imaculada da pedra refletia os raios do Sol, fazendo-o parecer irreal.

- “É lindo!” exclamou Phoebe.

- “Vamos até lá” comandou Piper, decidida a resolver logo aquele problema e voltar para suas tarefas normais.

As quatro entraram pela imensa porta do templo. O interior também era muito iluminado. No fundo, um grupo de sacerdotisas atendia aos devotos de Afrodite e preparava seus rituais.

Uma delas, a mais velha, levantou a cabeça e pareceu se espantar com a presença das recém-chegadas. Ela caminhou diretamente para Helena.

- “Alina! O que faz aqui?”

- “Alina era minha mãe. Eu sou Helena.”

Em um minuto a expressão da mulher mudou, como se ela compreendesse tudo o que estava acontecendo.

- “Suponho que tenha vindo ver a deusa. E quem são essas?”

- “São minhas amigas. Elas vieram me ajudar.”

- “Vai mesmo precisar de toda ajuda possível”, disse a sacerdotisa. Depois, olhou Helena de cima à baixo. “Eu já imaginava que isso ia acontecer... o destino de sua mãe foi muito triste, Helena. Espero sinceramente que possa fazer Afrodite mudar de idéia quanto ao seu. Vou anunciá-las à deusa.”

Dizendo isso, a mulher se virou em direção ao fundo do templo, e desapareceu por uma porta. Minutos depois, voltou.

- “Afrodite vai recebê-las agora.”

O grupo caminhou até o local indicado pela sacerdotisa. Mas, antes de passarem pela porta, a mulher segurou Helena pelo braço.

- “Eu as acompanho apenas até aqui. Tenham muito cuidado. Tentem não desagradar Afrodite. Se quiserem voltar para onde vieram, jamais devem fazê-la se sentir ofendida!”

A sacerdotisa ficou para trás e as quatro caminharam por um longo corredor. "Nunca pensei que a deusa da Beleza pudesse ser tão perigosa", pensou Phoebe, sentindo um estranho arrepio de medo que parecia quase uma premonição.

Segunda-feira

10.4.2


5.

No final do caminho ficava uma sala muito ampla e confortável onde uma criada as aguardava.

- “Sentem-se. A grande deusa virá recebê-las logo.”

Na verdade, elas ficaram um bom tempo esperando.

- “Ufff!” Paige quebrou o silêncio. “Mesmo que um dia Afrodite apareça, o que vamos dizer para ela?”

- “Que é injusto transferir para a fila a raiva que ela possa ter sentido da mãe”, respondeu Phoebe.



- “E quem julga isso?” disse uma voz vinda do outro lado da sala. “Quem pode dizer a uma deusa o que é certo ou não?”

Era Afrodite, que entrava na sala como uma rainha. Vestida numa longa túnica branca, enfeitada com prata e brilhantes. As irmãs ficaram impressionadas com sua beleza. Tinha longos cabelos presos num penteado muito elaborado, um rosto de traços clássicos e, apesar de ser uma divindade ancestral, parecia não ter mais do que trinta anos de idade.

A voz de Afrodite era forte e muito clara, e ainda assim extremamente feminina e sensual. Havia também algo de selvagem em seu olhar; um aviso, talvez, de que por trás de toda aquela beleza existia uma tempestade de sentimentos difíceis de controlar.

A deusa ignorou as irmãs, e caminhou diretamente para Helena.

- “Então você é a filha de Alina. Vejo que ‘puxou’ à sua mãe”, ironizou Afrodite. “Como é seu nome?”

- “É Helena.”

- “Mas que apropriado sua mãe lhe colocar esse nome!” disse Afrodite, soltando uma risada maldosa. A jovem baixou a cabeça. Sabia que não podia confrontá-la.

- “Ò grande Afrodite, eu vim em busca de misericórdia. Peço perdão pelas faltas cometidas pela minha mãe...”

- “Misericórdia?” interrompeu a deusa. “Mas e por que você precisaria da minha misericórdia?”

- “Senhora, sou vítima do mesmo mal que impôs à minha mãe... e já não posso mais viver assim!”

- “Mal? Como você pode julgar que a beleza absoluta é um mal? O que eu dei á sua mãe – e agora a você – foi um presente. O maior presente que a deusa da Beleza pode dar!”

- “Senhora, sabe o quanto esse ‘presente’ tem nos feito sofrer!” suplicou Helena. Vendo o desespero dela, Phoebe decidiu intervir.

- “Senhora, com todo o respeito... a mãe de Helena cometeu um erro, mas já pagou por isso! Essa jovem pode honrá-la muito mais se puder retomar sua vida normal do que se tiver que passar o resto da vida enclausurada!”

- “Me honrar? Acha então que eu preciso das honras da filha de uma traidora? E você, quem pensa que é?”

- “Meu nome é Phoebe. Phoebe Halliwell.”


Afrodite olhou para Phoebe de um jeito estranho, com uma mistura de raiva e desprezo. As irmãs sentiram que as coisas não estavam indo para um bom caminho.

- “E o que veio fazer aqui? Esse assunto não lhe diz respeito!”

Phoebe sentiu o próprio sangue ferver. Se não precisasse ajudar Helena, teria dito algumas verdades para aquela deusa arrogante e impiedosa.

- “Vim com minhas irmãs para ajudar Helena. Acreditando que o perdão seja uma das maiores qualidades dos deuses”.

- “Não pense que vai me enrolar com essa sua conversinha humana sobre perdão. Não será você a julgar as decisões de uma deusa!” disparou Afrodite, ainda mais furiosa. “Agora saiam daqui. Voltem para onde vieram. Não quero vê-las nunca mais na minha frente!”

A tentativa de diálogo havia fracassado, e Paige percebeu que não era um bom momento para bancarem as heroínas.

- “Vamos, vamos embora” disse, puxando as irmãs. Mas Phoebe não saia do lugar. Parecia congelada, de boca aberta e olhar faiscando de ira. “Venha, Phoebe!” ordenou, pegando-a pelo braço.

As quatro percorreram o caminho de volta ao templo pelo longo corredor. A velha sacerdotisa as esperava, e sua expressão era de quem já sabia exatamente o que havia acontecido.

- “Sigam-me. Vou acompanhá-las até a porta do templo.”

O grupo de mulheres caminhou em silêncio. No entanto, ao passarem pela porta, a sacerdotisa segurou Paige pela mão.

- “Esperem! Ouçam com atenção, pois só vou falar uma vez. Existe um deus que pode quebrar a maldição de Afrodite. Vão até o templo dele, levem alguma oferenda, como flores. É um deus bondoso, tenho certeza que vai atender seu pedido!”

- “Mas que deus é esse?” perguntou Phoebe.

- “É Eros, o filho de Afrodite, o próprio deus do Amor! Helena, foi ele que fez com que sua mãe se apaixonasse... ele vai ajudar! Agora preciso ir” disse a sacerdotisa, afastando-se rapidamente.

6.

- “Com tanta coisa prá fazer no restaurante e eu estou aqui, colhendo flores!” resmungou Piper.

- “Imagine então que está colhendo temperos para fazer um assado” respondeu Paige, brincando com a irritação da irmã.

As quatro mulheres estavam num campo coberto de flores coloridas, com ramos perfumados nas mãos. Era uma paisagem linda, e Phoebe não pode evitar de se sentir um pouco enfeitiçada pela magia daquele lugar.

- "Nunca vi cores mais bonitas!"

- “São flores como as do mito dos Campos Elísios”, respondeu Helena.

- “Bem, espero que não sejam. Ao que me consta, ninguém nunca voltou de lá” murmurou Piper mais uma vez.

- “O que há com você?”, perguntou Phoebe.

- “Não estou nada contente com essa história... e se tudo for uma grande armadilha? Não se esqueçam que Eros é filho de Afrodite e que aquela sacerdotisa trabalha prá ela!”

- “Bem, e que outra solução nós temos?”

- “Vocês podiam me deixar voltar lá e explodir aquele templo! Aí sim veríamos se aquela deusa arrogante não ia querer conversar!”

- “Não diga uma coisa dessas!” repreendeu Helena, alarmada. “Os deuses podem ouvir suas blasfêmias contra eles!”

- “Blasfêmias?” Piper arregalou os olhos. “Deveria ver então o que eu faria naquele templo se pudesse!”

- “Dessa vez, temos que resolver as coisas de outra maneira”, disse Phoebe.

- “Há uma coisa que ainda não entendo”, falou Paige. “Por que você não é afetada pela maldição de Helena?”

Phoebe pensou por alguns instantes.

- “Eu não sei. Talvez minha vidência de certa forma me faça a ver como realmente é. Talvez porque eu estivesse destinada a ajudá-la.”

- “Isso nós também estamos, e mesmo assim temos que usar essas lentes.” Paige não disse em voz alta, mas compartilhava do temor de Piper de que tudo aquilo fosse uma grande armadilha.

- “Bom, acho que já temos flores o suficiente. Vamos procurar o templo de Eros.”

As quatro foram em direção ao local onde sabiam que o templo ficava. Era o alto de um pequeno monte coberto de uma grama muito verde. Todo local era cercado por um jardim, e trepadeiras floridas subiam pelas paredes enchendo o ar de perfume. Era um templo menor e bem menos suntuoso do que o de Afrodite, mas igualmente bonito. Só que de uma forma diferente, mais natural, acolhedora e sem luxos.

Elas entraram no templo e foram recebidas por jovens que mais pareciam estar ali brincando do que participando de algum culto ao deus.

- “Olá!” chamou Phoebe. “Trouxemos oferendas de flores para o grande deus Eros”.

- “Sejam bem-vindas! Sou ..., sacerdote de Eros. Vieram em busca do Amor das suas vidas?”

- “Na verdade, não... Precisamos da ajuda do deus Eros para nossa amiga.”

Só então o jovem reparou em Helena.

- “Há mesmo algo de estranho em você... um feitiço, eu diria... ainda bem que, como sacerdote, não sou afetado por essas coisas. Mas por que acham que Eros pode ajudar?”

A irmãs se olharam. Talvez não fosse seguro revelar o verdadeiro motivo de estarem ali.

- “Porque ninguém mais conseguiu. Fomos informadas no templo de Afrodite que ele ajudaria”, disse Paige, salvando a situação.

- “Nesse caso, é um pedido muito especial. Vou anunciar a presença de vocês. Talvez sejam recebidas pelo Sumo Sacerdote.”

O jovem se afastou. Minutos depois, estava de volta com uma expressão de espanto no rosto.

- “Nem vão acreditar... o próprio Eros se interessou em ajudá-las! Ele aceitou recebê-las imediatamente!”

As quatro seguiram o rapaz até um jardim interno, onde o silêncio era quebrado apenas pelo canto de pássaros exóticos que ali se alimentavam. O ruído suave da água de uma fonte fazia aquele parecer ser um lugar de meditação.

- “Espero que o coração desse Eros seja tão bonito quanto esse jardim...” disse Phoebe.

- “Phoebe?” disse uma voz conhecida, vinda do fundo da sala.

Phoebe viu a silhueta de um homem alto que se aproximava da entrada do jardim. Quando finalmente ele saiu para a luz, a surpresa dela foi tão grande quanto parecia ser a dele. Ele se aproximou mais, e os dois ficaram frente a frente.

- "Coop?!"

7.

- "Coop?" repetiu Phoebe lentamente, paralisada pela imagem que estava na sua frente.

Piper e Paige estavam de boca aberta... Helena não entendiam nada. Phoebe continuava sem se mexer. Era Coop realmente, bem ali naquele templo.

- “O que você está fazendo aqui, me responda agora mesmo!” disse, nervosa. “Por que está aqui?”

- “Phoebe, eu não esperava encontrá-la... não imaginava que era você...”

- “Responda! Esse é o templo de Eros, nos disseram que Eros iria nos receber... e aparece você?”

- “É que eu... Eu sou Eros.”

- “O que???”

-“Eu sou Eros, Phoebe. Cupido é o nome romano para Eros, lembra?”

Phoebe mal acreditava no que ouvia. Estava furiosa. Então depois de tanto tempo, o homem que ela pensava ser Coop era... Eros?

- “Não me venha com aulas de Mitologia! Existem milhares de cupidos, espalhando o Amor por cada canto da Terra... Você me disse que era um cupido, e não O Cupido!”

Coop sabia que estava numa fria muito grande. Era a segunda vez que não jogava limpo com Phoebe. Seria difícil convencê-la a se acalmar.

- “Na verdade, meus colegas têm a mesma missão que eu mas... apenas um de nós é filho de Afrodite. E esse sou eu. Eu esperava contar quando fosse lhe apresentar a minha mãe, mas você parecia ter tanto medo de saber mais sobre mim que pensei que isso seria só mais um impedimento para o que sentimos um pelo outro!”

- “O que sentimos um pelo outro? Como vou saber o que sinto, se nem sei mais quem você realmente é?” desabafou Phoebe, entre lágrimas. “Isso tudo é uma grande mentira!” disse, virando as cosas e correndo para fora daquele lugar.

- “Fale com ele e peça ajuda para Helena”, disse Piper para Paige. “Eu cuido da Phoebe!”

A irmã mais velha também saiu correndo. Paige torceu o nariz e encarou Coop, balançando a cabeça em desaprovação.


- “Dessa vez você meteu mesmo os pés pelas mãos, ein?”

Nos corredores do templo, Piper alcançou a irmã que soluçava de tristeza.

- “Phoebe! Phoebe, me espere!”

- “Eu quero voltar para casa. Jamais quero ver ele de novo em toda minha vida!”

- “Calma, querida!” disse Piper, abraçando-a. “Eu sei que foi um choque, mas vocês tem que conversar melhor.”

- “Não há mais nada a dizer. Ele escondeu coisas de mim, coisas importantes! Como pode? Nunca mais vou confiar nele de novo!”

- “Bom, mas agora acho que não há mais nada a esconder. Escute, querida, eu sei o que você está sentindo. Passei por isso também quando descobri que Leo era um Luz Branca, lembra?”

Confortada pela irmã, Phoebe parou de chorar.

- “E lembra quando você descobriu que Cole era um demônio? Se você pode perdoar a ele, porque não a Coop, que é um ser do Bem?”


Aquilo era verdade, e Phoebe sentiu-se um pouco culpada. Mas estava muito sensível, e não conseguia controlar bem suas emoções.

Naquele momento, as duas viram Paige se aproximando com Helena.

- “Contamos a Eros... quer dizer, a Coop, tudo sobre a maldição que a mãe dele lançou sobre Helena. Ele foi pessoalmente até templo de Afrodite pedir à ela que volte atrás.”

Enquanto isso, no templo da deusa da Beleza, mãe e filho se confrontavam.

- “Eu não acredito que você, meu filho, tenha vindo até aqui por causa de um pedido dessa tal de Phoebe... uma mortal!”

- “Mãe, você está sendo duplamente injusta! Com Helena, que não merece a sua vingança, e com Phoebe, que sabe que eu amo!”

- “Sinceramente, Eros! Espera que eu aceite esse seu envolvimento com essa... essa bruxa? Você é um deus! Onde já se viu faltar às suas obrigações como por causa de uma mulher como aquela!”

- “Mãe, você sabe o que eu sinto por Phoebe!”

- “Só sei porque você não conseguiu esconder. Mas uma coisa é se divertir um pouco com uma mortal, até o próprio Zeus já fez isso. Outra é se apaixonar e ficar correndo atrás dela como um cachorrinho, e é isso o que você está fazendo! É indigno de um deus!”

Coop ficou em silêncio. De repente, começava a se dar conta de algumas coisas.

- “Isso não é sobre Helena, não e mesmo? Ela foi apenas uma isca... você tramou tudo isso, não é mãe? Para atrair Phoebe até aqui, e fazer ela descobrir quem eu sou da pior forma possível!”

Afrodite não respondeu. Mas só de olhar para ela, Coop via que era verdade.

- “Como pôde fazer uma coisa dessas? Isso é... pura maldade!”

- “Maldade é continuar dando esperanças para aquela bruxinha, e a deixar pensar que pode ter algum tipo de relacionamento com você.”

Coop tinha o rosto marcado pela raiva.

- “Isso é mesquinho! Eu mesmo vou terminar com as maldades que você fez” disse, desaparecendo no ar e deixando para trás Afrodite com uma expressão de ódio em seu belo olhar.


8.

- “Eu sinto muito que tudo isso tenha acontecido por minha causa”, diz Helena, achando-se culpada pela infelicidade de Phobe.

- “Você não tem culpa de nada”, responde Phoebe, com um sorriso tímido.

- “Phoebe, eu acho melhor você voltar para casa. Eu e Paige continuaremos aqui com Helena, e tentaremos resolver as coisas.”

- “Não. Podem precisar de mim.”

Então um pequeno coração brilha no ar. Em seguida, Coop aparece.

- “Eu... vim para dizer que o problema de Helena está resolvido.”

- “Tão rápido? Sua mãe concordou em desfazer a maldição?” pergunta Phoebe.

- “Não exatamente. Eu mesmo a desfiz, com um ritual.”

Os dois se olham em silêncio.

- “Bom, vamos fazer um teste”, diz Paige, tirando as lentes de contato. “Oh... Helena, você me parece exatamente igual do que há cinco minutos atrás! O ritual funcionou!”


Piper também tira as lentes e verifica que já não é mais afetada pelo feitiço em Helena. A jovem abre um grande sorriso.

- “Isso quer dizer que...”

- “Você já pode voltar à sua vida normal”, completa Coop. “Agora eu vou indo. Quando minha mãe descobrir o que fiz vai querer explicações, e é bom eu estar bem longe de vocês.”

- “Coop, espere...” chama Phoebe, mas é tarde. O cupido já desapareceu no ar.

- “É melhor você conversar com ele mais tarde, com calma e longe daqui”, aconselha Piper.

- “Então vamos voltar para casa!” diz Paige, animada. “Helena, você faz as honras?”

- “Claro!” ela responde, toda sorridente. “Dêem as mãos.”

As irmãs obedecem e Helena se concentra. Logo, elas sentem tudo girar. Helena desaparece. Tudo pára, mas as irmãs continuam ali.

- “Mas o que houve?” pergunta Paige, assustada.


- “Helena se foi. E nós ficamos”, conclui Piper.

- “Talvez os poderes dela tenham sido afetados pelo ritual de Coop... mas isso não será problema. Posso perfeitamente orbitar a gente daqui até em casa”.

As irmãs dão as mão novamente. Mas antes que Paige possa orbitar, elas são surpreendidas por um grupo de mulheres que as ataca com uma rede.

- “Agora!” grita uma delas. Phoebe, Piper e Paige se vêem rapidamente enroladas na armadilha.

- “Não consigo mais orbitar!” grita Paige. “Essa rede está sugando todo o meu poder!”

As irmãs olham para suas agressoras e reconhecem as sacerdotisas de Afrodite.

Domingo

10.4.3

9.

As irmãs foram levadas pelas sacerdotisas de volta ao templo de Afrodite, e jogadas no chão como se fossem sacos de batatas.

- “Ei, cuidado!”

Logo reconheceram a mulher que encontraram da primeira vez que estiveram ali. A sacerdotisa se aproximou e colocou um bracelete de metal em cada uma. Eram tão apertados que, sem a chave para abrir, seria impossível tirá-los. A mulher guardou as três chaves num bolso.

- “Podem retirar a rede” disse, e as demais obedeceram.

- “Porque está fazendo isso conosco? Onde está Helena?”

- “Eu sinto muito, são ordens de Afrodite. Mas não se preocupem com Helena: ela voltou sã e salva para casa. A deusa não se importa mais com ela. É vocês quem ela quer.”

Aquilo era preocupante. Piper olhou para o bracelete em seu pulso. Passou a mão na superfície e notou que seus dedos ficavam impregnados de uma substância brilhosa e meio avermelhada. Examinou de novo, e reconheceu do que se tratava.

Naquele momento, Afrodite entrou na sala. Ela parecia triunfante.

- “Vejam só o que apanhei na minha rede... bruxas!”, ironizou.


- “O que fez com nossos poderes?” perguntou Paige.

- “Não lhe ensinaram a não usar seus poderes baratos contra uma deusa?”

- “Esses braceletes... Eles estão enfeitiçados com a mesma poção que havia nas algemas que nos prenderam em Pine Parrish!” constatou Piper.

- “Pelo menos burra você não é. Se Lilith tivesse feito direito seu trabalho eu não precisaria estar resolvendo todo problema sozinha agora.”

- “Então você era cúmplice de Lilith!”

- “É claro que não! Eu jamais me rebaixaria a isso! Não tive nada a ver com o trabalho sujo dela, eu não lido com demônios. No entanto, preciso reconhecer que Lilith me foi muito útil... se não fosse ela a vir até aqui me contar, eu só descobriria o relacionamento inapropriado que meu filho estava tendo quando já fosse tarde demais!”

- “Como é que é?” exclamou Phoebe.

Afrodite deu uma risada sinistra.

- “Lilith me trouxe a informação e, em troca, dei a ela a poção para suprimir os seus poderes. Até quando você pensava que ia manter seu namoro com Eros em segredo? Por acaso achava que conseguiria enganar a uma deusa? Seu atrevimento merece ser pago com a vida!”

- “Isso é um absurdo! Eu jamais soube que Coop era seu filho!”

- “Pois agora já sabe, e vai se afastar dele imediatamente! E não me importa que vocês sejam as Encantadas e que o Mundo Mágico inteiro esteja a seu favor, porque ninguém pode desafiar a vontade de uma deusa!

- “Se você fosse tão poderosa assim, não precisaria fazer esse teatro todo para nos apanhar!” desafiou Piper, lamentando que aquele bracelete a impedisse de mandar a insolente Afrodite pelos ares.

Mas Afrodite não se deu por achada.

- “Eu gosto de me divertir. Mas agora já estou farta de vocês!” Ela se virou para Phoebe: “Quero que se comprometa a nunca mais ver meu filho. Afinal, como você bem percebeu, ele na verdade não era totalmente sincero... O amor de vocês é uma mentira. Desista de Eros, e eu as deixo voltar para casa agora mesmo.”

- “Phoebe, não faça isso! Siga seu coração...” murmurou Paige.


Phoebe baixou a cabeça e pensou por alguns instantes.

- “Eu não vou fazer o seu jogo. O que há entre mim e Coop é assunto nosso, verdadeiro ou falso, é com ele que eu tenho que resolver as coisas. E não com você!”

- “Então ousa me desafiar?”

- “Eu não tenho que lhe dar satisfações sobre os meus sentimentos.”

O rosto de Afrodite se desfigurou. Ela estava furiosa.

- “Você e suas irmãs vão pagar caro por isso! Sacerdotisas, prendam as três!”

Mais de uma dezena de mulheres partiram para cima das irmãs, seguindo as ordens da deusa. Phoebe tentou lutar, mas as sacerdotisas estavam em maioria e não houve como resistir por muito tempo.

Elas foram dominadas e levadas para uma pequena sala, fechada por uma grossa porta de madeira. Havia apenas uma janela estreita em que podiam ver a parte externa do templo.

- “E agora, como vamos sair daqui?”

- “Me desculpem, eu não devia ter enfrentado Afrodite. Por minha causa vocês estão nessa encrenca!”

- “Isso não é verdade, você fez o que era certo. Seguiu seus sentimentos. Deusa ou não, ela não pode impor o fim do seu amor por Coop!”

- “Vamos enfrentar Afrodite juntas!” disse Paige.

E as três irmãs se abraçaram naquela cela fria.

10.

As primeiras luzes do sol entram pela pequena janela e vão bater no rosto de Piper, que faz uma careta e tenta continuar a dormir. Ela está sentada numa antiga poltrona, a única na sala onde as irmãs passaram a noite presas. Ao seu lado, Paige tenta se enrolar num tapete. Só Phoebe não conseguiu pregar o olho. Sentada no chão, coberta por uma manta, ela espera as irmãs acordarem.

Do corredor vem o barulho de pessoas que se aproximam. A porta se abre e algumas serviçais de Afrodite, lideradas por Zaira, entram na sala. Piper e Paige abrem os olhos, com uma cara sonolenta.

- “A Deusa quer vê-la” diz a mulher para Phoebe.

Piper prontamente se levanta.

- “Nós vamos também.”

- “Não. Devem ficar aqui, para sua própria segurança.”

- “É melhor obedecer, Piper”, diz Phoebe, contendo a irmã.

O grupo segue pelo corredor até o aposento onde Afrodite está confortavelmente deitada em um divã. Ela se levanta com calma. Parece mais bela do que nunca, com o rosto perfeito iluminado por um sorriso um tanto irônico.

- “Dormiu bem?”

- “Seu problema é comigo, porque não solta as minhas irmãs? Elas não fizeram nada para ter que passar por isso!”

- “Elas são minha garantia de que você vai fazer exatamente o que eu mandar.”

- “E o que você quer de mim?”

- “Ora, minha querida, quem quer alguma coisa aqui é você! Uma coisa que não lhe pertence... meu único filho!”

A expressão de Afrodite muda num instante. Ela está furiosa.

- “Pois vai ter que provar que o merece, ou pagará pelo seu atrevimento!”

- “Como posso provar a você que sou digna de Coop?”

- “Coop? O nome dele é Eros!” diz a Deusa, indignada. “Por Zeus, com que tipo de mulher meu filho foi se meter!”

Afrodite bufa de impaciência.

- “Ouça bem, mortal, porque não vou repetir. Você vai ter que provar o seu valor! Escolhi uma série de tarefas especialmente para isso. E você vai fazer tudo sozinha, nada de usar magia!”


- “Farei o que você mandar. Sabe bem que não seu feitiço não nos permite usar magia!”

O sorriso maldoso volta ao rosto da Deusa.

- “Minhas serviçais vão levá-la ao celeiro. Os grãos estão todos misturados, como vou poder usá-los assim? Você deve separar tudo. Não quero ver nenhum grão fora do seu monte! Tem até o fim do dia para fazer isso.”

Afrodite solta uma gargalhada e faz com a mão um sinal para que levem Phoebe dali.

As mulheres a conduzem para fora do templo até o local onde os cereais ficam armazenados. A porta do celeiro é aberta e Phoebe leva um susto: há uma quantidade imensa de grãos, num monte de quase cinco metros de altura. Cevada, arroz, trigo, feijões, milho... tudo misturado. É humanamente impossível separá-los dentro do prazo estipulado.

As mulheres fecham a porta, e a deixam sozinha naquele lugar sombrio e silencioso. Phoebe se deixa cair no chão, desesperada. Ela não pode evitar as lágrimas.

- “O que vou fazer agora? Jamais vou conseguir cumprir essa tarefa...e minhas irmãs vão pagar por isso!”

- “Não se preocupe. Nós vamos te ajudar.”

Surpresa por aquela voz, Phoebe olha para os lados. Mas... não há ninguém por ali.

- “Quem disse isso?”

- “Olhe para baixo, nós estamos aqui!”

Ela mal pode acreditar no que vê. A seus pés, milhares de formigas formam uma imensa mancha escura no chão. É dali que vem a voz.

- “Vocês estão falando comigo?”

- “Ouvimos o seu lamento. Temos nos alimentado desses grãos por toda nossa vida, então achamos justo ajudá-la com eles”.

Na sua frente, a mancha negra começa a se mover. As formigas se espalham por todos os lados. Logo, pequenos montes de cereais vão se formando. Maravilhada, Phoebe abre um sorriso.

- “Isso é incrível!”

Os montes de grãos vão crescendo rapidamente. No fim do dia, nada mais resta a ser separado.

- “Nem sei como agradecer a vocês, formigas!”

- “Agora, temos que ir. Afrodite está se aproximando, podemos ouvir os passos dela.”

Assim que os insetos desaparecem, a porta do celeiro de abre e Afrodite entra, com ar triunfal. Mas sua arrogância logo muda ao ver que a tarefa com que pensava derrotar Phoebe tinha sido realizada.

- “Mas como você fez isso!”

- “Como fiz não importa. A tarefa foi cumprida, e agora você tem que libertar minhas irmãs.”

- “Não tão depressa, menina... Aqui quem dá as ordens sou eu!” diz a Deusa, furiosa. “Amanhã bem cedo terei outra tarefa para você, e pode ter certeza de que dessa vez não será tão fácil assim!”

Quinta-feira

Os melhores sites sobre Charmed

Charmed Fan Fiction está aceitando afiliações!

Se você tem um site sobre Charmed, as atrizes e atores do show ou outras séries de TV e busca por parceria, me escreva enviando sua url. Os links serão colocados na home page desse site.

Uma ótima sugestão da Holly Fan, que se deu até o trabalho de me enviar uma lista de sites interessantes. Obrigada, amiga!

Domingo

Pedido de ajuda

Olá, todos!

Recebi uma mensagem importante de uma enfermeira que vive em Portugal, que vou reproduzir aqui. É um pedido de ajuda.

Peço uma especial atenção aos leitores que vivem nesse país, pois talvez alguém possa satisfazer esse desejo tão singelo de alguém que precisa muito:

"Eu sou enfermeira em Lisboa e tenho uma menina doente que adora a série Charmed. Uma paixão. Eu gostaria de poder dar-lhe todos os episódios do início ao fim, mas sou um nabo em informática. Será que podiam me ajudar? O meu email é ruiemanela@hotmail.com.

O mais fácil seria pelo correio. Não me importava de pagar o transporte.

Agradecia mesmo. Manuela"


E Charmed Fan Fiction agradece quem tiver esse bom coração...


Quinta-feira

Ano Novo, vida nova


É hora de dar adeus ao velho layout...

Charmed Fan Fiction está de cara nova, para começar 2009 com o pé direito. Diferente, mais organizado, mas com todo o conteúdo de qualidade que você já conhece. E mais histórias das temporadas virtuais da nossa série favorita!

Espero que gostem, e que me ajudem a deixá-lo cada vez melhor. Esse blog é como uma peça de artesanato: único, um pouco rústico, mas feito por mim mesma, com carinho e dedicação em tudo que está aqui.

Que a magia nunca deixe de tocar nossos corações nessa nova etapa que inicia!

Beijos,

Lory

Segunda-feira

Especial Alyssa Milano


Alyssa Milano está de aniversário!

Para comemorar os 36 aninhos, completados nesse dia 19, Tudo sobre Charmed traz a biografia e belas fotos da atriz em Tudo sobre... Alyssa Milano. Além disso, a Charmed Gallery tem vídeos "divertidos" da Alyssa exercendo seus talentos para a música... te cuida, Pavarotti!

E você pode assistir online ao filme Wisegal, de 2007, uma bela interpretação de Alyssa.

Nossos melhores desejos para a eterna Phoebe!

Domingo

Saiba de tudo e dê a sua opinião!

Agora ficou ainda mais fácil acompanhar todas as novidades de Charmed Fan Fiction: as notícias, os episódios virtuais de Charmed, os downloads... seja o primeiro a saber de tudo que pintar de diferente por aqui! A partir de hoje, a barra na lateral direita está trazendo opções para você se inscrever e se tornar um seguidor do blog. É muito fácil, basta clicar no local correspondente.

Além disso, temos duas novas enquetes: De qual irmã Paige era mais próxima? está em Charmed Downloads, e Como seria se Lori Rom fosse a Phoebe no lugar de Alyssa Milano? em Tudo sobre Charmed.

Participem! Estou curiosa para saber o que vocês pensam.

 
©2008